João
Luna
entrou sem olhar para ninguém e dirigiu-se aos balneários do bar para vestir a
sua farda.
-Estás
atrasada! – disse uma voz grossa ao fundo do corredor.
Luna
parou, e virou-se cautelosamente.
-Desculpe,
senhor Jai…
-Calma,
sou só eu.
Luna
voltou a respirar, por momentos esqueceu-se que tinha de o fazer e no seu rosto
houve um alívio enorme, era apenas Pedro, o cozinheiro, o brincalhão de serviço
que a tentou assustar, com sucesso.
-
Que susto Pedro!
Pedro
riu-se.
-
O senhor Jaime ainda não chegou, para a próxima tenta chegar mais cedo, não
queremos que sejas despedida logo no primeiro dia, seria uma pena.
Luna
sorriu e voltou a retomar o seu caminho até ao balneário sem nunca lhe sair da
cabeça as últimas palavras de Pedro «seria uma pena.», o que seria que Pedro
queria dizer com aquilo.
O
dia de trabalho de Luna foi calmo, não houve grande euforia e estava uma brisa
agradável, Luna sabia que ia adorar trabalhar ali.
-
Boa tarde, um café por favor!
Luna
conhecia aquela voz, era impossível não a reconhecer, rouca, frágil e doce,
inconfundível. Sorriu e serviu o café.
-
Oferecia-lhe um café com todo o gosto, mas já sei que prefere um pôr-do-sol.
Luna
sorriu, aquele homem era tão atraente, tão amável, tão elegante, tão bonito,
tão desejável, no fundo, tão apaixonante.
-
Vamos?
-
Claro, dê-me apenas dez minutos para trocar de roupa.
Luna
apressou-se a vestir, mas quando ia a sair reparou que, junto à porta, Pedro a
olhava com curiosidade.
-
Pedro?
-
Vejo que já acabaste o teu turno.
-
Sim, é verdade, fiz mais uma hora, para compensar a manhã.
-
Não precisas de te justificar.
Luna
assentiu com a cabeça e deixou-se ficar ali, parada.
-
É melhor ires, o teu namorado não deve gostar de estar à espera. – Na voz de
Pedro havia um sarcasmo profundo.
-
Ele não é meu namorado Pedro, é apenas um amigo.
-
Um amigo claro, é o que dizem todas.
-
Não te admito que fales comigo desse jeito, muito menos tenho de te dar
explicações, até amanhã.
Luna
dirigiu-se rapidamente ao bar, onde ainda estava, exatamente no mesmo lugar o
homem que lhe causava uma completa atração.
-
Desculpe a demora, já podemos ir.
-
A senhora manda.
Riram-se
os dois, como duas crianças, e dirigiram-se para a praia para
ver o tão desejado pôr-do-sol.
por: lilizisses-lc.blogspot.com